2 de jul. de 2012

Echao pa´lante

 
Em meio a toda angústia tivemos também que resolver um monte de questões práticas, como: quem iria tomar conta das crianças quando eu fosse operada e estivesse fazendo a quimioterapia? Na época meu marido estava trabalhando em Berlim, ele se ausentava de casa durante toda a semana. Minha filha, então com 4 anos, já frequentava o jardim de infância, podendo ficar lá entre 7 e 17 horas, enquanto que meu filho, de 7 anos, saía da escola às 12.45, vindo para casa. Tivemos que inscrevê-lo num centro de acolhimento ao estudante/Hort. Para variar, não havia vagas em nenhum dos Hort da vizinhança. Foram 3 longos meses de humilhante espera. Fomos, meu marido e eu, demasiadamente bem-educados ao receber dois "não", escrevemos uma carta explicando a nossa situação, mas deveríamos é ter-nos atirado ao chão, chamado a imprensa, enfim, rodado a baiana. Estamos aprendendo com o tempo e a experiência...

As assistentes sociais em Heidelbergue aconselharam procurar um serviço de enfermagem e cuidados domésticos, o seguro-saúde cobre uma boa parte dessas despesas. O problema é que nesse momento eu tive muito medo de entregar meus filhos para pessoas desconhecidas, já não dava tempo de fazer uma triagem. E se não fossem boas profissionais e eu estivesse muito debilitada, como ia contratar outras? Falei para o meu marido que só aceitava recorrer aos babysitters conhecidos (3 pessoas), que se revezavam umas 20 horas por semana. Não teve outro jeito, para complementar os 3 baby-sitters e os vizinhos/amigos que vez ou outra também entraram na dança, o Vascaíno acabou tendo que tirar alguns meses de licença não-remunerada (ainda bem que o empregador foi compreensivo!). Era isso ou eu não poderia estar fazendo o meu tratamento.

Para segurar todas as ondas, andei tendo consultas com várias psicólogas e psicooncologistas (invariavelmente no feminino). Todas essas profissionais ofereceram um bom serviço, só que ele funciona de maneira esporádica e irregular, num esquema de atendimento ambulatorial lotado e em revezamento, mesmo em Heidelbergue. Agora estou na lista de espera para um terapeuta regular, cruzando os dedos para conseguir uma vaga com um bom profissional nos próximos meses.

Um grande apoio nas horas de maior sufoco tem sido o KID, Krebsinformationsdienst/Serviço de informações sobre o câncer (www.krebsinformation.de). É um site super detalhado e bem atualizado, nos moldes do American Cancer Society (www.cancer.org), com um serviço telefônico gratuito, oferecido pelo Centro alemão de pesquisas sobre o câncer/dkfz, também em Heidelbergue, com excelentes profissionais treinados para escutar (e discutir com ponderação) qualquer pepino relacionado ao tema. Toda vez que liguei para lá eles me quebraram o galho.




Nenhum comentário:

Postar um comentário