Em meio a toda angústia tivemos também que resolver um monte de questões práticas, como: quem iria tomar conta das crianças quando eu fosse operada e estivesse fazendo a quimioterapia? Na época meu marido estava trabalhando em Berlim, ele se ausentava de casa durante toda a semana. Minha filha, então com 4 anos, já frequentava o jardim de infância, podendo ficar lá entre 7 e 17 horas, enquanto que meu filho, de 7 anos, saía da escola às 12.45, vindo para casa. Tivemos que inscrevê-lo num centro de acolhimento ao estudante/Hort. Para variar, não havia vagas em nenhum dos Hort da vizinhança. Foram 3 longos meses de humilhante espera. Fomos, meu marido e eu, demasiadamente bem-educados ao receber dois "não", escrevemos uma carta explicando a nossa situação, mas deveríamos é ter-nos atirado ao chão, chamado a imprensa, enfim, rodado a baiana. Estamos aprendendo com o tempo e a experiência...
As assistentes sociais em Heidelbergue aconselharam procurar um serviço de enfermagem e cuidados domésticos, o seguro-saúde cobre uma boa parte dessas despesas. O problema é que nesse momento eu tive muito medo de entregar meus filhos para pessoas desconhecidas, já não dava tempo de fazer uma triagem. E se não fossem boas profissionais e eu estivesse muito debilitada, como ia contratar outras? Falei para o meu marido que só aceitava recorrer aos babysitters conhecidos (3 pessoas), que se revezavam umas 20 horas por semana. Não teve outro jeito, para complementar os 3 baby-sitters e os vizinhos/amigos que vez ou outra também entraram na dança, o Vascaíno acabou tendo que tirar alguns meses de licença não-remunerada (ainda bem que o empregador foi compreensivo!). Era isso ou eu não poderia estar fazendo o meu tratamento.
Para segurar todas as ondas, andei tendo consultas com várias psicólogas e psicooncologistas (invariavelmente no feminino). Todas essas profissionais ofereceram um bom serviço, só que ele funciona de maneira esporádica e irregular, num esquema de atendimento ambulatorial lotado e em revezamento, mesmo em Heidelbergue. Agora estou na lista de espera para um terapeuta regular, cruzando os dedos para conseguir uma vaga com um bom profissional nos próximos meses.
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