Os 17 dias de espera entre a primeira mamografia e a biópsia serviram para
aprender a dar meus primeiros passos pelo planeta câncer de mama. Foi bem duro,
estava sem GPS. Tive que reunir toda a coragem para olhar as chapas e ler o
relatório e começar a fazer minhas pesquisas na internete. Já desde o início
percebi que a mama direita não podia ser salva devido ao CDIS (carcinoma ductal
invasivo in-situ), essa lesão pré-cancerígina já a comprometia pela larga
extensão. E cá com os meus botões de paciente-leiga, ela parece prova de que os
dois tumores passaram anos se desenvolvendo até se manifestar. A grande
preocupação era saber se já havia também linfonodos envolvidos (não!) ou metástase
(não!), tinha que amargar ainda semanas de espera até terminar toda a
fase de estadiamento, isto é, de classificação do tumor.
A nova mamografia (muito mais nítida, por sinal) e ultrassonografia, feitas em Heidelbergue, reconfirmaram a presença "só" dos dois tumores (aprendi há pouco que essa multifocalidade ou multicentrismo é uma manisfestação típica dos tumores do tipo her2 positivos) e aparentemente nenhum comprometimento dos linfonodos. Dissemos à mastologista, que por sinal foi muito gentil durante todo o exame, que eu precisava de apoio psicológico para encarar o que vinha pela frente. Ela chamou uma pessoa indicada para esses casos, uma breast care nurse/enfermeira de cuidados da mama. Essa senhora nos ajudou muito na fase inicial do tratamento, consolando também o meu marido, e me entregou um manual de explicações aos pacientes com câncer de mama, escrito por especialistas que atuam na clínica ginecológica e no NCT/Centro Nacional de Tumores, também lá em Heidelbergue. O guia esclarece algumas etapas essenciais dos possíveis tratamentos e serve como aquecimento para o longo caminho a ser percorrido.
A enfermeira também nos encaminhou para o serviço de aconselhamento psicosocial para filhos de pais com câncer. Estivemos com a psicóloga lá umas três vezes, numa ocasião também levamos os nossos filhos. Queríamos explicar, levando em consideração a idade deles, o tratamento por que eu ia passar. Para isso também utilizamos livros apropriados, onde aparecem, por exemplo, mães com lenço na cabeça. Tivemos que esclarecer desde coisas simples, como câncer não é contagioso, até as mais delicadas, que é possível morrer disso ou que o meu cabelo iria cair. Nessa situação-limite é melhor tentar quebrar os tabus do que ser surpreendido pelo efeito bumerangue, isto é, quando as crianças aprendem sobre esses temas por terceiros, um coleguinha da escola ou um adulto distraído, e tudo pode ficar ainda mais confuso ou assustador. A atitude dos meus filhos diante do meu tratamento ainda vai ganhar algum post específico, mas não posso me cansar de elogiá-los, eles fazem muito marmanjo ficar de queixo caído.
A nova mamografia (muito mais nítida, por sinal) e ultrassonografia, feitas em Heidelbergue, reconfirmaram a presença "só" dos dois tumores (aprendi há pouco que essa multifocalidade ou multicentrismo é uma manisfestação típica dos tumores do tipo her2 positivos) e aparentemente nenhum comprometimento dos linfonodos. Dissemos à mastologista, que por sinal foi muito gentil durante todo o exame, que eu precisava de apoio psicológico para encarar o que vinha pela frente. Ela chamou uma pessoa indicada para esses casos, uma breast care nurse/enfermeira de cuidados da mama. Essa senhora nos ajudou muito na fase inicial do tratamento, consolando também o meu marido, e me entregou um manual de explicações aos pacientes com câncer de mama, escrito por especialistas que atuam na clínica ginecológica e no NCT/Centro Nacional de Tumores, também lá em Heidelbergue. O guia esclarece algumas etapas essenciais dos possíveis tratamentos e serve como aquecimento para o longo caminho a ser percorrido.
A enfermeira também nos encaminhou para o serviço de aconselhamento psicosocial para filhos de pais com câncer. Estivemos com a psicóloga lá umas três vezes, numa ocasião também levamos os nossos filhos. Queríamos explicar, levando em consideração a idade deles, o tratamento por que eu ia passar. Para isso também utilizamos livros apropriados, onde aparecem, por exemplo, mães com lenço na cabeça. Tivemos que esclarecer desde coisas simples, como câncer não é contagioso, até as mais delicadas, que é possível morrer disso ou que o meu cabelo iria cair. Nessa situação-limite é melhor tentar quebrar os tabus do que ser surpreendido pelo efeito bumerangue, isto é, quando as crianças aprendem sobre esses temas por terceiros, um coleguinha da escola ou um adulto distraído, e tudo pode ficar ainda mais confuso ou assustador. A atitude dos meus filhos diante do meu tratamento ainda vai ganhar algum post específico, mas não posso me cansar de elogiá-los, eles fazem muito marmanjo ficar de queixo caído.
Para a biópsia tomei uma anestesia local e a médica colheu o material, não doeu nada, só a alma. É verdade, mas reitero que, apesar de tudo, desde o início, passado o torpor inicial, e tirando a depressão, sobre a qual não tenho controle, tenho me decidido pela (sobre)vida. Tenho compromisso com meus filhos e fico esperneando contra a ignorância, injustiça ou descaso, quando tenho forças pra isso.
O resultado da patologia veio na primeira semana de maio. Tanto a mastologista como a breast care nurse foram precisas, explicando a necessidade da mastectomia. A operação foi marcada para uma sexta, dia 13 de maio. A enfermeira me perguntou se eu não era supersticiosa. Respondi que não, oficialmente era dia da abolição da escravidão no Brasil, servia como a minha Lei Áurea particular, me libertando do câncer.
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