O título acima é pura
autoironia e se refere ao meu estado físico e psíquico no momento. Estou
bastante ansiosa por causa do primeiro encontro com o psicanalista na semana
que vem, cruzando os dedos pra encontrar alguém legal que me ajude a recuperar
a auto-estima e a redefinir metas. Enquanto espero, vivo dispersivamente e
durmo mal, numa contradição entre hiperatividade e exaustão, pirada da
batatinha mesmo.
Ainda bem, uma boa notícia
para comemorar. Fui ao meu primeiro controle no Centro da Mama em Heidelbergue,
depois de 13 meses. Seguindo as diretrizes atuais que determinam controles
periódicos para os pacientes sobreviventes de câncer, fizeram uma mamografia da
solitária mama esquerda. O resultado foi um BIRADS 2, o que é bom. A sonografia
assinalou alguma besteira inócua na axila esquerda. Passei alguns minutos de
tensão até o Oberarzt, o superior de plantão, confirmar com a médica-assistente
que não era nada demais. Já na área do peito caolho não encontraram nada
suspeito, alles im Grünbereich/como tinha que ser!
No trem de volta pra casa
comecei a esboçar o post de hoje. Quero escrever sobre um tema bem complexo, não
só na minha mente confusa. Trata-se da definição do conceito de bem-estar para
uma sobrevivente de câncer de mama. Como observa Annette
Rexrodt von Fircks, é muito difícil uma paciente voltar a afirmar “eu vou bem”,
considerada a agressividade não apenas da doença em si, senão do tratamento
oncológico como um todo. Annette teve um diagnóstico barra pesada (e um prognóstico de 15% de chances de sobrevida em 5 anos) aos 35 anos, com 3 filhos pequenos.
Ela é autora de vários livros de auto-ajuda e criadora de uma fundação com
projetos voltados especialmente à reabilitação de pacientes com filhos ainda
pequenos: http://www.rvfs.de/
O câncer de mama é um alien
arretado te invadindo não se sabe direito por quê nem por onde, um inimigo cuja
voracidade provoca batalhas violentas no corpo e na alma do seu hóspede. Então,
para elevar as chances de sobrevivência, assinamos um termo de compromisso/informed
consent, dispostos a enfrentar longos e dolorosos tratamentos, como químio ou
radioterapia, que podem deixar sequelas físicas ou psíquicas por meses, anos ou
mesmo para sempre. Vou enumerar alguns dos efeitos colaterais mais frequentes:
menopausa precoce, com tudo o que isso implica (depressão, suores, alterações
no sono e na libido, secura nas mucosas e dores nas juntas), fatiga,
falta de ar, esquecimento, polineuropatia, a lista é interminável, fico só no básico.
Ora, não somos masoquistas,
muito pelo contrário, trata-se duma opção consciente,
agarrando-nos no que a ciência pode nos oferecer no momento, o que muitas vezes
ainda é muito pouco. Portanto, como responder à pergunta de um conhecido que
você encontra na rua: Como vai? Ah, tudo bem, eu fui bem ali na sucursal do
inferno, mas já estou de volta. Francamente, dá vontade de pular no pescoço do
sujeito que não me deixa falar. A maioria das pessoas só espera mesmo um rápido
“tudo bem”, o câncer as assusta tanto que você, paciente, acaba tendo que
assumir também a função de terapeuta delas, haja saco!
(Copiado de NEDenise, do http://her2support.org)
"You know you're a BC survivor when... you agree to a course of treatment specifically designed to turn you into an overweight, beefy, red-faced, bald guy!"
"You know you're a BC survivor when...you
joke about your cancer, and your 'healthy' friends aren't sure whether
to laugh along."
(I told them...rule of thumb guys...if I'm laughing...it's okay for you to laugh!!)
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